Fazendo o caminho diário, fico pensando em tanta coisa que fica entalada, tanta coisa que eu precisava dizer... Mas não o faço. Por respeito, por mais que você pense o contrário. O que falta mesmo é o respeito recíproco. Por tantas vezes que eu já disse e chorei, e nunca fui levado a sério. Por tantas vezes que você me julgou fazendo um "dramalhão". Pelas inúmeras vezes que você menosprezou a minha escolha. Talvez, esta, minha única escolha que me faça feliz. Desde o princípio você achou que fosse uma brincadeira, um "hobby". Talvez fosse. No princípio. Já se passaram mais de seis anos. Eu não sou mais um estudante de colegial que experimenta as coisas por curiosidade. Hoje, eu sei que esta é a escolha certa. Não pra você, disso eu tenho certeza. Por você, eu seria do comércio, talvez, eu faria cursos e mais cursos para seguir carreiras progressoras, talvez, eu teria amigos de trabalho, talvez... Talvez eu fizesse tudo isso, talvez eu fosse tudo isso. Mas é certeza que você não me veria da forma como mais quer me ver. Feliz! Tanta coisa eu faço, e você pensando ser tão pouco... Eu sei que se não existisse, se eu não nascesse, sua vida seria mais fácil, mais tranquila, você até ganharia alguns anos a mais na sua juventude e um pouco mais de dinheiro no bolso. Afinal, é uma pessoa a menos para cuidar, uma boca a menos para alimentar. Eu sei que você não pensa assim. Só estou dizendo. Porém, eu sei também que se não fosse eu, hoje, como seria? Quem te ajudaria? Quem estaria com você quando você pedisse? Eu sei, soa que não é mais que a minha obrigação, e eu não reclamo disso. Faço porque te amo, porque sei que você me ama e tudo o que eu disse antes só acontece por causa desse amor, do cuidado que você sempre teve comigo, da necessidade de eu ser alguém na vida. Afinal, como você mesmo diz, "eu não vou durar para sempre". Não quero jogar tudo na sua cara. Talvez você nunca escute isso. Eu só queria te fazer entender o quanto a minha escolha é importante pra mim. Foi isso que eu escolhi ser e é isso o que eu realmente quero ser. Esta é minha vida, o que me move, o que me faz feliz. É isso que me deixa no estado que você tanto gosta. Eu fiz a minha escolha. Minha escolha é ser feliz. Não precisa aceitar, apenas respeitar.
Eu te amo!
Desde o dia que nasci.
Sempre vou te amar.
Não é amor imposto, nem aprendido.
É o amor mais sincero e puro.
Desculpe se estou afiado. Mas não é culpa minha. Você me ensinou tanto, tanta coisa... Mas tem coisas que a gente desaprende para reaprender da forma mundana. E isso é necessário. A gente cria anticorpos para lembrar dos valores que trazemos do lar. E minha acidez é apenas um desejo de tentar fazer você entender que por mais que você tente o contrário, eu não vou desistir do meu caminho. Essa parte da minha vida pertence só a mim. Você vive me dizendo que sou tão esperto e inteligente... E não vai ser neste caminho que vou tropeçar. Porque é à ele que me dedico e é ele que quero fazer dar certo. Apenas confie em mim, como eu sempre confio em você.
Imagino que a melhor forma de iniciar este post é voltando no tempo, mais ou menos uns 17 anos... Vamos lá.
Renan, criança feliz, por volta dos 7 anos. Gosto musical: Xuxa, Sítio do Pica-Pau Amarelo, Eliana, Sandy & Junior. E é sobre este último item que vamos falar. Mais especificamente dela. Como a maioria das crianças dessa idade, eu gostava dessa duplinha, cantando agudamente "Quicoooo sefoooooi fazêêêêêê nuumatuu Mariaxiquiiiinha?" E, como qualquer criança normal, nem imaginada que a safadjenha da Maria Chiquinha foi lá botar uma galhada na cabeça do marido. Que fase, hein? Duas crianças naquela idade cantando uma música onde a moça trai o marido e o marido corta a cabeça dela e ainda COME o resto? Canibalismo ou posso considerar necrofilia? Absurdo. Mas isso não vem ao caso. O fato é: eu gostava da duplinha. Porque? Ainda procuro entender. Identificação? O carisma dos dois (dela)? As musiquinhas irritantes? Enfim. Os anos se passaram e eu acompanhei o crescimento e amadurecimento - tanto pessoal quando profissional - dos dois. Sempre naquela levada gosto-não-gosto. O "não gosto" ficava por conta da vergonha de assumir. Como um adolescente de 15 anos pode gostar de Sandy & Junior? É uma vergonha! Mas bem assim foi, sempre gostei e ainda escuto algumas (bastantes) músicas. Prontofalei.
Hoje, venho aqui fazer uma resenha sobre o "Sim", álbum recém-lançado de Sandy Leah ex - Sandy e & Junior. Já tem quase um mês, eu acho, que escutei esse álbum pela primeira vez e andei procurando tempo e palavras para falar dele. Hoje, escutando mais uma vez, surgiu e corri pra cá. Como o preconceito com essa mulher rola solto, não me admira que este post seja abandonado na metade da leitura ou o leitor nem tenha interesse em lê-lo a julgar pelo título. Se você chegou aqui, considere-se uma pessoa livre de preconceitos e de mente aberta. Porque falo isso? Vamos entender.
Confesso que Sandy nunca me emocionou. É inegável sua potência vocal, seu talento natural para a coisa, seu carisma e tudo mais. Mas as músicas nunca me atingiram de alguma forma. Depois de alcançar um nível maior de entendimento musical, pude perceber a falta de emoção da moça ao cantar letras de própria autoria. Letras bonitas, por sinal. Têm mensagem, melodia boa, mas sempre acompanhadas daquela voz bonita, afinada e só. Livre de qualquer sentimento. Até mesmo seu Manuscrito, o primeiro álbum solo da garota, é totalmente assentimental - até onde ouvi. Não corri-o inteiro.
Pois bem. Sandy Leah lança em 2012 seu EP Princípios, Meios e Fins, trazendo 5 faixas inéditas - das quais eu ouvi apenas uma. Aquela dos 30 não surpreende - em partes. Traz uma Sandy fazendo piada - no bom sentido - de sua idade. Pra quem achava que nunca iria acontecer, Sandy chegou aos 30. Nesta faixa, ela expressa seu sentimento de como é ser jovem porém velha. Estranho se dito assim, mas é isso mesmo. Não cheguei aos 30 e nem sou mulher, mas pela vivência que tive com mulheres dessa idade, sei que não deve ser fácil. Você se sente velha demais por não ser mais uma garota de 20, porém se sente jovem demais para formar a própria família, por exemplo. Mas voltando a falar de Sandy... Pela primeira vez, percebe-se um sentimento ali; não poderia ser diferente, afinal, a música fala dela. Ainda assim, continuamos a ouvir aquela voz linda, doce e sem "expressão". Mas tudo bem, damos um desconto por que a música foi feita para ser uma brincadeira e não caberia uma Sandy triste por ser trintona. Ainda assim, Sandy está de parabéns pela faixa. A melodia, o piano - falarei dele mais tarde - as notas e a nova pegada.
O EP ainda traz mais 4 músicas: Segredo, Olhos Meus, Escolho Você e Saudade. Sinto que perdi muito por não me interessar neste EP e buscar ouvi-lo inteiro antes. O tesouro me passou batido. Vamos partir para o "Sim". É aqui que quero chegar.
2013, Vem Sandy com seu belíssimo "Sim". Já ganhou um elogio desde aqui. Depois que ouvi a primeira vez, senti necessidade de colocá-lo no repeat e desejar que nunca acabasse. Sandy encontrou seu caminho! Ela traz letras profundas, batidas clássicas e... o piano! Como é lindo ouvir a voz de Sandy junto com o piano! É simplesmente incrível como casa perfeito. Confesso aqui: Odeio a Sandy falando. Tenho preguiça da voz dela - fa-lan-do! - vou deixar bem claro. Sandy traz pela primeira vez em um álbum o sentimento na voz. Você escuta e sente vontade de chorar, mesmo que nunca tenha passado pelo que fala a música. É fato que, desta vez, ela conseguiu tocar meu coração com suas músicas. O álbum é tão bonito que merece uma resenha de cada música. Bem curtinhas, eu prometo!
A Capa - Não, não é faixa. É a capa do álbum, mesmo. Como eu amei a capa! Sandy está linda, supera até mesmo a capa do 11º álbum "Sandy & Junior" , de 2001. Foi feliz na escolha. Anos-luz na frente da capa de seu antecessor "Princípios, Meios e Fins".
Aquela dos 30 - Carro-chefe do álbum - na verdade, do EP, que é de 2012. Má escolha. Porém, ou fosse a primeira escolha ou nem entrasse no álbum. Porque? Sandy já completou 30 anos este ano e não faria sentido cantar "...e eu já tenho quase 30". Enfim. Música boa, legal para encarar o passar dos anos de forma easy.
Escolho Você - A minha preferida! Presente também no EP. Alegrinha, feliz, te põe pra cima. Essa faixa tem muito a ver comigo, por isso gosto tanto dela. Te faz entender o porquê de estar com a pessoa amada. Lindinha.
Morada - É aqui que se formam as lágrimas, bem lá no fundo, sem você perceber. Praticamente, completa a anterior. Tipo, como simplesmente apagar um grande amor da vida assim, como se nada fosse? É difícil esquecer alguém que teve seu coração por tanto tempo. E se este amor vale a pena, se ambos querem, como cortar pela raiz?
Segredo - Tem uma pegada mais pesada, uma música para fechar os olhos e curtir, ouvindo Sandy segurar as notas de forma brilhante e fazer tremer aquela lágrima que se formou. Linda, tocante, simples e esperançosa.
Ponto Final - Essa faixa ficou meio perdida para quem ouve o álbum na sequência. Por isso, aconselho pular e escutar por último para levantar o astral. Música de fim de relacionamento, tem uma levada gostosa. Tipo de relacionamento que não vale a pena. Trocadilho interessante, a música brinca com as palavras e falsetes da cantora. Um mimo.
Refúgio - Que música! Sandy poderia tirar todos os outros instrumentos e deixar só o piano - olha ele aqui de novo! É uma música tocante, a melodia, a quebra das frases... Tudo! Mostra claramente aquele lugar que você quer estar quando parece que tudo está errado. Enaltece o amor na sua forma mais pura e acolhedora. Linda!
Olhos Meus - Já começa no piano. É aqui que as lágrimas vêm. A música é linda na sua maior simplicidade. A voz de Sandy está mais sentimental do que nunca. A progressão do piano combinada com a voz maravilhosa é de arrepiar! Porém, curta. Fica uma saudade quando a música acaba.
Ninguém é Perfeito (Jessie J oi?) - Assim como Ponto Final, ficou perdida no meio do álbum. Pule e escute antes de Ponto Final. Música básica, combinada com Segredo. Gostosa de ouvir, alegrinha, te faz querer ver seu amor :)
Sim - Música que dá nome ao álbum. A julgar pelo nome, tinha tudo para ser sem sal nem açúcar, uma musiquinha positiva que entrou no CD por cota. Ledo engano. Uma das melhores do CD. Sandy apresenta uma voz diferenciada, numa outra entonação com uma progressão divina. Uma delícia de ouvir e dá vontade de cantar junto e gritar aos quatro cantos tudo o que diz a música. Libertadora.
Saudade - Putz, o que dizer? O piano começa e você já arrepia. Sandy vem, aparentemente conversando com você: "Oi, quem é você pra vir chegando assim?". Nesta faixa, é nítido a voz e o piano dançando num ritmo perfeito em nossos ouvidos. De início, não sabemos de quem Sandy está falando. Os agudos vão contando a história tão melancólica até vir "Você tocou o meu ombro e se apresentou". Já chorei. É divino esse trecho, a melodia, o timbre... Sandy impressiona! Já a saudade... Ótima música para fechar o álbum.
Minha preferida? O álbum todo, certeza! Mas se fosse para escolher uma, certamente iria escolher aquela que eu gostei de cara, na primeira ouvida, aquela com a qual eu me identifico. Escolho Você.
Aliviado por finalmente fazer este post!
Sandy sempre fez parte da minha vida. Cresci com ela e amadureci com ela. E este álbum me traduz, sem sombra de dúvida.