"Conto para não Contar"
Era feliz, não poderia dizer que não. Também, isto é algo
óbvio a se dizer, pois teve a melhor criação. Nunca lhe faltou nada. Aquela
velha história,”teve do bom e do melhor”, e teve mesmo. Desde muito novo sabia
o que queria. Tinha opinião – por mais tosca que fosse – e ninguém o convencia
do contrário. Na história da sua infância, tenho apenas a destacar que sempre
fora muito alegre. Gostava de viver. Na sua adolescência, ficava nítida a
criancice que o acompanhava. Nunca cresceu. Nunca se preocupou muito com o
futuro, com “o que seria quando crescesse”, apesar de sempre afirmar uma coisa:
seria artista. Coisa de criança, talvez... Mas não existem palavras no mundo
mais sinceras que de uma criança.
O tempo passou tão depressa que lhe faltou tempo para pensar
em outra coisa. Uma segunda opção, talvez.
Ou seja esta a opção correta.
O fato consumidor é que ele se sente triste e sem propósito
de levantar todas as manhãs, pois seus dias são repletos de perda de tempo.
Também o medo da falta de mudança o afeta num grau que suas lágrimas já não
encontram forças para se manifestarem... Ou talvez já secaram.
O tempo é cruel com todos, essa é a maior lástima. Não há
tempo. A falta de tempo o consome. Tentou correr, mas o labirinto parece não
ter saída. Está lutando contra teus próprios instintos, que se fortalecem a
cada dia.
O temor maior é de quando tudo isso estourar. Os cacos podem
ferir, tanto ele mesmo como seus próximos.
E agora?
Escrito originalmente em 9/Fev/2014 – 00h24
