terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Conto para não Contar

"Conto para não Contar"

Era feliz, não poderia dizer que não. Também, isto é algo óbvio a se dizer, pois teve a melhor criação. Nunca lhe faltou nada. Aquela velha história,”teve do bom e do melhor”, e teve mesmo. Desde muito novo sabia o que queria. Tinha opinião – por mais tosca que fosse – e ninguém o convencia do contrário. Na história da sua infância, tenho apenas a destacar que sempre fora muito alegre. Gostava de viver. Na sua adolescência, ficava nítida a criancice que o acompanhava. Nunca cresceu. Nunca se preocupou muito com o futuro, com “o que seria quando crescesse”, apesar de sempre afirmar uma coisa: seria artista. Coisa de criança, talvez... Mas não existem palavras no mundo mais sinceras que de uma criança.

O tempo passou tão depressa que lhe faltou tempo para pensar em outra coisa. Uma segunda opção, talvez. 

Ou seja esta a opção correta.

O fato consumidor é que ele se sente triste e sem propósito de levantar todas as manhãs, pois seus dias são repletos de perda de tempo. Também o medo da falta de mudança o afeta num grau que suas lágrimas já não encontram forças para se manifestarem... Ou talvez já secaram.

O tempo é cruel com todos, essa é a maior lástima. Não há tempo. A falta de tempo o consome. Tentou correr, mas o labirinto parece não ter saída. Está lutando contra teus próprios instintos, que se fortalecem a cada dia.

O temor maior é de quando tudo isso estourar. Os cacos podem ferir, tanto ele mesmo como seus próximos.

E agora?


Escrito originalmente em 9/Fev/2014 – 00h24